ÍNDIA E PAQUISTÃO: a questão da Caxemira

A Caxemira é um dos lugares mais estratégicos do mundo, onde 3 países poderosos colidem: Índia, Paquistão e China.

As disputas por fronteiras são o alicerce desse conflito. Então, é importante começar quando essas fronteiras são traçadas. Em meados do século XIX, a Índia era uma colcha de retalhos de várias províncias e Estados sob o domínio britânico. Quando a Índia britânica ganhou a independência, a região foi dividida em duas.

Por um lado, um novo país de maioria muçulmana, o Paquistão. E por outro, de maioria hindu, a Índia.

Em meio a guerra, motivada pelo desejo de controle total da região, alguns Estados tiveram a opção de se juntar a qualquer um dos países. Na maioria dos casos, o líder local seguiu a vontade de seu povo, mas a região chamado “Jammu e Caxemira” foi diferente. Essa região tinha uma população de maioria muçulmana, mas foi governada por um hindu. Quando solicitado a escolher um lado, escolheu permanecer neutro.

Ao longo do tempo, Caxemira foi mantida dividida e ocupada. Tornou-se um dos lugares mais militarizados da terra. Um campo de batalha entre duas nações com armas nucleares, Índia e Paquistão. Os dois países, enviavam aviões, tanques, artilharia e soldados ao longo da linha de controle. Tropas ocupam a região que cometeram violações de direitos humanos como estupro, tortura e desaparecimentos forçados que ainda continuam hoje.

Por: Shakila Ahmad (@shakilaahmad)

ESTREITO DE DRAKE: o mar mais perigoso do mundo

O Estreito de Drake é a passagem que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, localizada ao sul do continente da América do Sul. Conhecido como “o mar mais perigoso do mundo”, o estreito é batizado com o nome de um explorador britânico do século XVI, Francis Drake, que, ironicamente, nunca passou por essa rota.

A passagem possui 650 quilômetros e se caracteriza por ser o menor atalho entre os demais continentes do mundo e a Antártica. Sua estigma de “perigoso” pode ser justificada pela carência de ilhas, que, combinada à massa de ar polar concentrada, provoca um intenso fluxo de ventos e frentes frias. Essa condição ocasiona uma imprevisibilidade meteorológica, pondo sempre em questão a conjuntura climática, surpreendendo os navegadores.

A travessia é obrigatória por navios originários do Chile e com destino à Antártica, em sua maioria com intuito de pesquisa. Já os navios que pretendem cruzar os oceanos dão preferência à passagem pelo Estreito de Magalhães, que, por sua vez, possui uma navegação mais tranquila e se localiza no cabo Horn, no sul chileno.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

UNIÃO AFRICANA: área de livre comércio continental africana

No dia 7 de julho, a União Africana lançou o Acordo de Livre Comércio Continental Africano em uma cúpula em Niamey, no Níger. O tratado abrangerá os 55 países da organização, exceto a Eritréia, configurando a maior área (zona) de livre comércio do mundo. O acordo entrará em vigor no ano de 2020, e é previsto um aumento de 60% do comércio na África, até 2022.

Conceitualmente, essa forma de integração regional consiste na remoção total ou parcial de tarifas que envolvem relações comerciais entre os países, e tem como principal objetivo o “desenvolvimento econômico” dos países envolvidos. Buscando diversificar o modo das operações, a União Africana busca impor o diferencial do sistema de pagamento pan-Africano, que consiste na busca por outras alternativas monetárias ao Dólar americano e ao Euro.

Por mais que o otimismo inicial da fase operacional do projeto seja grande, é importante destacar que o continente africano já possui outros blocos regionais, como a SADC (África Austral) e a EAC (África Oriental). Além disso, dentre esses 54 países, a organização engloba grandes economias mundiais — Nigéria e África do Sul —, como também algumas das mais pobres — Guiné-Bissau, Gâmbia, Djibouti, Cabo Verde.

Vale a pena acompanhar o desenvolvimento dessa integração por se tratar de uma estratégia econômica entre países muito distintos, apesar de similaridades históricas em comum. Juntamente à suspensão de políticas econômicas protecionistas, essa disparidade pode representar a prevalência de economias que possuem melhores condições de produção e já exportam bens de maior valor agregado. E assim, a consequente precarização de setores industriais menores, devido a concorrência desigual.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

G20: as maiores economias do mundo

A 14° cúpula do G20 ocorreu em Osaka – Japão, nos últimos dias 28 e 29 de junho deste ano. Mas, vocês sabem o papel do G20 na sociedade internacional?

O G20 foi criado em 1999 e se caracteriza como um grupo composto pelas 19 maiores economias mundiais mais a União Europeia, a qual representa, em um único bloco, diversos países europeus. O grupo foi criado em um cenário de pós crises econômicas e adveio da necessidade de uma maior cooperação entre as grandes economias globais. A representatividade e o peso econômico do G20 faz com que seja um ator crucial para a gestão do sistema financeiro global.

A reunião do G20 ocorre anualmente e conta com a presença, além dos membros oficiais, de membros convidados, estes os quais mudam a cada ano, dependendo da conjuntura global. Neste ano, dentre os países convidados, cita-se: Chile, Egito, Países Baixos, Senegal, Espanha, Tailândia, Singapura e Vietnã.

Além dos diversos temas abordados neste ano em Osaka, chamou atenção a abordagem da questão da guerra comercial entre EUA e China. A cúpula terminou com um cenário de aparente paz entre as duas potências, levando em consideração o pronunciamento do presidente estadunidense, o qual afirmou que não elevará, por ora, as tarifas impostas sobre as importações da China em direção ao território norte-americano. Além disso, foi citado que os países das maiores economias globais continuarão engajados nas questões ambientais globais, apesar da saída dos EUA do Acordo de Paris, o qual trata das responsabilidades dos países com as questões climáticas mundiais.

Os movimentos dos líderes mundiais durante a cúpula do G20 traduzem os objetivos de cada nação. Com a duração de dois dias, diversas questões foram abordadas visando uma maior cooperação e preservação de um ambiente negociável, sendo este o principal objetivo das reuniões anuais. Com o fim da cúpula, resta analisar os movimentos dos Estados durante os próximos meses e aguardar a 15° cúpula das 20 maiores economias mundiais, que ocorrerá em 2020 em Riad, capital da Arábia Saudita.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

LÍBIA: o caos de uma guerra civil

Ao analisar o contexto atual da Líbia, verifica-se um país em um processo multidimensional controlado por milicianos, extremistas e militares, que controlam territórios distintos, desde a deposição e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

A Líbia sofre com crises políticas, de segurança e econômicas interligadas que estão enfraquecendo as instituições do Estado, prejudicando sua economia e facilitando a existência continuada de grupos armados não estatais. Como as autoridades rivais continuam a competir pelo poder, a fragmentação e a disfunção resultantes proporcionaram um ambiente fértil para o desenvolvimento de uma economia de guerra generalizada dependente da violência.

Nesse contexto, há dois meses, as duas maiores cidades do país estão em crescentes embates. Trípoli, a capital da Líbia, tem um arremedo de governo provisório sustentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é chefiado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj. Benghazi, a capital do petróleo está sendo controlada por Khalifa Hiftar, um ex-militar de 75 anos que projetou suas próprias alianças com as milícias vizinhas e, em abril, atacou Trípoli de surpresa. Hiftar e seus aliados estão ocupando Trípoli nos dias atuais, cultivando um enfrentamento que pode desembocar em guerra civil. Com centenas de mortos, quase 100.000 desabrigados e nenhuma solução à vista.

Por: Shakila Ahmad

SE LIGA! Miscelânea identitária

Você sabe a diferença entre árabe, turco, persa, sunita e xiita? Para começar é importante salientar que nem todo muçulmano é árabe e nem todo árabe é muçulmano. Uma curiosidade é que o país com a maior população muçulmana do globo é a Indonésia, que não é um país árabe.

Árabes, curdos, turcos e persas são grupos étnicos que habitam diferentes países do Oriente Médio. Eles são maioria no Egito, Jordânia, Síria, Líbano, Iraque, nos países da península Arábica e nos territórios sob a Autoridade Palestina, além do Norte da África. O principal fator que os une são os fatores geográficos, linguísticos e culturais.

Os persas são descendentes dos povos indo-europeus que chegaram à região do Irã. Os turcos são originários da Ásia Central, de onde migraram por volta do século 10. Eles formam mais de 80% dos habitantes da Turquia. O idioma era escrito em caracteres árabes até 1929, quando se adotou o alfabeto latino.

Os curdos são o maior grupo étnico sem Estado do mundo. Eles ocupam um território de cerca de 500 mil quilômetros quadrados – maior que o do Iraque – que engloba parte da Turquia, Irã, Iraque, Síria, Armênia e Azerbaijão. O idioma curdo é indo-europeu, como o persa.

Sunita e xiita são vertentes da religião islâmica. Mais de 90% da população do Oriente Médio segue a religião islâmica.

Em regiões onde as fronteiras nacionais são resultado do jogo de equilíbrios entre as potências coloniais, a atribuição religiosa e étnica é frequentemente usada em discursos políticos para justificar ações estratégicas no tabuleiro geopolítico.

Por: Shakila Ahmad (@shakilaahmad)

MÉXICO E EUA: acordos sobre a histórica questão migratória

Nos últimos dias, as negociações, entre os governos mexicano e estadunidense, sobre os migrantes dos países centro-americanos se tensionaram. Sendo uma das principais pautas de segurança do governo Donald Trump, o impedimento da imigração dessa população para os Estados Unidos proporciona um nível de aflição nas relações entre os dois países.

No dia 30 de maio, Trump ameaçou a imposição de tarifas gerais de 5% a todas importações advindas do México, cobrando medidas mais contundentes do país latino-americano quanto à contenção do fluxo migratório. Isso geraria um impacto grave na economia mexicana, visto que US$ 346,5 bilhões de suas exportações se destinaram aos EUA no ano de 2018 (segundo o Census Bureau). No entanto, posteriormente, os governos chegaram a um “acordo” com a finalidade de evitar essas tarifas: a mobilização de um efetivo massivo da recém-criada Guarda Nacional para a fronteira sul do país com a Guatemala. Além disso, o governo Andrés Manuel López Obrador (AMLO) anunciou detenções de líderes de caravanas migrantes.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, garante que com essas medidas, o México evita se tornar um “terceiro país seguro”. Esse conceito surgiu no Estatuto dos Refugiados da Convenção de Genebra de 1951 e consiste em um país que acolhe migrantes recusados por um outro (nesse caso, os EUA). Para cumprir esse papel, esse “terceiro país” deve assegurar que o migrante não retorne ao seu país de origem (princípio da não-devolução/non-refoulement) e garantir direitos como moradia, emprego, educação, entre outros.

Analisando essa situação, o que se vê, portanto, é que, para além dos impactos e vulnerabilidades sociais, as negociações internacionais explicitam muito mais como a agenda de segurança dos EUA é utilizada em diferentes perspectivas. Pela perspectiva do governo Trump, pode-se entender que o significado de toda essa pressão momentânea para a questão migratória seja capital político para satisfazer sua base eleitoral, já pensando na reeleição presidencial em 2020. Já pela resposta do governo AMLO, há uma exposição no que se pode entender como uma dependência mexicana dos EUA, tanto econômica, quanto política.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

FRANÇA: territórios ultramarinos

Territórios ultramarinos franceses são regiões administradas pela França, porém fora de seu território metropolitano. Eles estão espalhados por várias localidades do planeta, traduzindo sua projeção de poder global. Estes territórios estão na América, África, Oceania e Antártica.

Um território ultramarino é, de certa forma, uma continuidade da colonização francesa, ou seja, a França exerce domínio sobre estes territórios, mesmo estes se localizando fora de seu escopo territorial e longe do continente europeu.

Existem dois tipos de territórios ultramarinos: os departamentos ultramarinos e as coletividades de ultramar.

Os primeiros são territórios os quais têm quase o mesmo estatuto que os territórios metropolitanos (isto é, a França continental a qual estamos acostumados) embora tenham autonomia e sejam excluídos de estatísticas nacionais, como taxas de desemprego. Estes departamentos participam também da União Europeia, utilizando como moeda o euro e tendo o direito de votar para o Parlamento Europeu. Um exemplo de departamento ultramarino com todas as características acima é a Guiana Francesa, território fronteiriço ao Brasil.

Já as coletividades ultramarinas possuem estatuto particular e não fazem parte da União Europeia, tendo como moeda o franco CFP, uma moeda vinculada ao euro, mas não sendo o euro em si, com maior independência. Um exemplo desta é a Polinésia Francesa, no Pacífico.

Cada departamento e coletividade possui uma forma diferente de organização interna, alguns possuem um presidente, outros monarquias, entre outros.

O QUE SÃO ZEEs?
ZEE: Zona Econômica Exclusiva;
Os países têm direito a estabelecer uma “zona de domínio” das águas para além de sua costa, isto é, a influência de um país vai além de suas águas territoriais. Na sua ZEE, um país tem direito sobre os recursos naturais ali encontrados e responsabilidade ambiental da região.

A França, por meio destes territórios ultramarinos e suas ZEEs, possuem influência global nas principais rotas de comércio mundiais e conseguem defender seus interesses.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

CHINA: a projeção na América do Sul

A intensificação das relações da República Popular da China com os países sul-americanos se estabeleceu junto ao seu destaque como potência mundial no início do século. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, ficou explícito o notável fracasso da receita neoliberal estadunidense, adotada pelos países da região, e que ocasionou déficits econômicos graves, principalmente na economia argentina.

Em 2001, começa o ingresso da China na OMC (Organização Mundial de Comércio) e seu sucessivo destaque como compradora de recursos naturais e energéticos, base de seu acelerado crescimento econômico (14,2% em 2007, segundo o Banco Mundial). Visto isso, a economia da América do Sul se beneficiou da alta demanda internacional por matéria-prima na primeira década do século.

Em contrapartida, os países-destaque (Brasil e Argentina) tiveram seus setores industriais prejudicados pelo aumento paralelo de importações de mercadorias eletrônicas e mecânicas de origem chinesa. Os investimentos diretos da China no subcontinente também foram grandes, porém, majoritariamente, voltados a estruturas de exploração e escoamento de recursos naturais (cobre, aço, petróleo e soja). No âmbito político, houve estreitamento de laços com o líder regional, Brasil, em 2011, através da criação dos BRICS, grupo de integração e cooperação política.

Atualmente, a China tem presença imprescindível na economia dos países sul-americanos, sendo o principal parceiro comercial de Brasil e Chile. Consome das exportações das principais economias: Brasil (22%), Chile (25%); Argentina (7,4%), Colômbia (5,2%). Dentre as importações deles, está presente em: Brasil (19%), Chile (25%), Argentina (19%), Colômbia (19%). [Fonte: OEC – The Observatory of Economic Complexity, 2017].

Sua relação mais atual com a Venezuela é de extrema interdependência, em que o país sul-americano possui dívidas gigantescas. Levando a disputa comercial EUA-China em consideração, a América do Sul é espaço de disputa de poder direta das maiores potências do mundo.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

ORIENTE MÉDIO: chokepoints regionais

A análise dos chokepoints no Oriente Médio explica a complexidade das questões regionais. A região é marcada por possuir importantes rotas marítimas comerciais em seu entorno e ser composta por importantes atores do mercado internacional de petróleo, como Arábia Saudita e Irã, principais exportadores regionais.

O bloqueio de um desses chokepoints poderia escalar em uma crise em diversos países os quais têm parcerias ou negócios no Oriente Médio, bem como os países locais os quais utilizam destas rotas para manterem suas exportações. Os conflitos na região devem ser observados de perto, pois quaisquer complicações nas estreitas passagens marítimas podem gerar negativas repercussões internacionais.

Os três principais chokepoints a serem analisados são: Canal de Suez (1), interligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho; o Estreito de Bab el-Mandeb (2), ligando o Mar Vermelho ao Oceano índico e o Estreito de Ormuz (3), o qual liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, sendo este o mais importante ponto estratégico, por onde se escoa ⅓ do petróleo mundial advindo do Irã ou países do Golfo, como Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. Desta forma, é facilitada a compreensão pelas disputas de poder e controle destas áreas, traduzidas a partir da presença de grandes potências nestes locais, como por exemplo bases militares da China, França e demais potências no Djibouti, Quinta Esquadra dos EUA no Bahrein, dentre outros.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

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