O Brasil corre o risco de perder investimentos de fundos internacionais responsáveis por cerca de 20 trilhões de reais e o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, devido ao aumento significativo do desmatamento na Amazônia e descaso do governo federal em relação às políticas socioambientais e aos direitos humanos. O sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), identificou 7,5 mil km² da floresta amazônica com sinais de devastação nos últimos 11 meses (agosto de 2019 a junho 2020), índice 64% maior que o período anterior em que 4,5 mil km² estavam em alerta. Esse e outros dados estão sendo vistos de forma negativa pela comunidade internacional, uma vez que demonstra a falta de comprometimento do Brasil com o desenvolvimento sustentável, pauta central no debate e agenda internacional. De modo a reverter esse cenário, o governo federal busca adotar uma posição mais aberta ao diálogo com investidores e promete diminuir os índices de desmatamento na Amazônia.
Continue Lendo “A pressão internacional a favor da Amazônia”Mês: julho 2020
Novos Focos de Contágios da COVID-19
Há 8 meses, o mundo está lidando com o novo coronavírus e, desde então, pessoas, comunidades e países ao redor do mundo vêm se adaptando para coexistir com a Covid-19. No início, ocorreram muitas baixas devido à falta de compreensão quanto ao comportamento do vírus dentro do corpo humano, a respeito de sua transmissão e de quais seriam os sintomas, entre outros aspectos. Com o passar do tempo, medidas restritivas começaram a ser impostas na intenção de diminuir a velocidade do contágio para impedir que os sistemas de saúde entrassem em colapso. Junto a isso, vieram as campanhas de conscientização e a construção de novos métodos de atuação dentro das dinâmicas do dia-a-dia. Todo esse período de primeiro contato com a doença resultou no fortalecimento das frentes de combate com novos remédios, novas abordagens com os infectados e, atualmente, com a produção de vacinas que ainda estão em fase de testes. Segundo o New York Times, mais de 165 vacinas estão em fase de testes globalmente, destas, 27 estão sendo testadas em humanos.
Continue Lendo “Novos Focos de Contágios da COVID-19”Saneamento básico e o Novo Marco Legal
O saneamento básico no Brasil não se restringe apenas ao abastecimento de água e esgotamento sanitário, mas também a serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, bem como manejo das águas pluviais. Se trata de uma área estratégica para o desenvolvimento econômico de um país, pois, além de prover acesso a um direito humano, está intimamente ligado à saúde pública, meio ambiente, qualidade de vida e é um gerador de renda internacional.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2018, o Brasil tinha 83,6% da sua população com rede de abastecimento de água e 53,2% com acesso a rede de coleta de esgoto.
O motivo dessa deficiência está relacionado ao perfil de renda dos consumidores, ou seja, na capacidade de pagamento das tarifas. E também na existência das chamadas economias de escala e de densidade do setor, onde é mais fácil ofertar os serviços em locais com maior densidade populacional, visto que a expansão e a manutenção dos serviços passam a ter custos reduzidos à medida que aumenta o tamanho da população a ser atingida. Sendo assim, é possível perceber que os investimentos realizados no setor foram mais motivados pelo retorno financeiro do que pelo retorno social.
Continue Lendo “Saneamento básico e o Novo Marco Legal”A anexação israelense e os assentamentos na Cisjordânia
Existe um histórico conflito em andamento entre os palestinos e os israelenses, que inclui a disputa por terras na região que é considerada sagrada para ambas as populações. Além do componente religioso, uma promessa ocidental foi um marco no início deste conflito: a Declaração Balfour de 1917. A carta, escrita pelo então ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, foi uma tentativa de ganhar apoio dos judeus e dos árabes na luta da Grã-Bretanha contra o Império Otomano. A carta dizia que o governo britânico apoiava “o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina”.
Os palestinos, contudo, consideram a carta uma traição e solicitam até hoje um pedido de desculpas dos britânicos, os quais, segundo estes, feriram a importância da comunidade árabe que ali vivia na época.
No fim da Segunda Guerra Mundial, com a migração de judeus para região após o Holocausto, os conflitos intensificaram-se, a considerar que já existiam árabes muçulmanos e judeus vivendo na região, ambos clamando pela exclusividade das terras. Em 1948, o Estado judeu, até então colônia britânica, declarou sua independência, tornando-se Estado de Israel, o que gerou insatisfação frente às nações árabes vizinhas.
Com o fim da Primeira Guerra árabe-israelense, em 1949, foi delimitada uma linha de armistício que gerou uma divisão deste disputado território, desta forma: a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) e a Faixa de Gaza seriam, a partir deste momento, territórios palestinos. Contudo, Israel realizou desde então constantes ofensivas visando a ocupação destes territórios palestinos supracitados, principalmente na Cisjordânia, que será abordada nesta análise.
Continue Lendo “A anexação israelense e os assentamentos na Cisjordânia”As tensões entre Venezuela e Estados Unidos
Nos últimos meses, houve uma crescente tensão nas relações entre a Venezuela e os Estados Unidos e, no final de junho, uma possibilidade de conversa entre seus presidentes, Nicolás Maduro e Donald Trump, foi apontada. As relações entre os dos países nem sempre foi conturbada. No início do século XX, as companhias de petróleo dos Estados Unidos receberam concessões de Juan Vicente Gómez, o então ditador, e foram pioneiras na exploração desse recurso natural na Venezuela. Em 1958, iniciou-se um movimento democrático no país que pôs fim à ditadura e afastou o país da União Soviética, o que foi visto com bons olhos pelos Estados Unidos. Isso fez com que o governo de John F. Kennedy e os seguintes apostassem na Venezuela como bom exemplo na América Latina naquele contexto de Guerra Fria. Nesse momento, Chávez era oficial do Exército e lutava contra guerrilheiros cubanos. Mas, logo depois passou a entender esses grupos de outra forma e admirar o regime cubano.
Continue Lendo “As tensões entre Venezuela e Estados Unidos”