A hallyu, ou onda coreana, representa a popularização da cultura sul-coreana a partir dos anos 1990. O termo foi criado por jornalistas de Pequim, que se surpreenderam com a crescente popularidade da cultura sul-coreana na China. Esse fenômeno teve início com a exportação de dramas coreanos e posteriormente de músicas e filmes. E de um fenômeno regional, teve efeito internacional com a divulgação em massa da música pop coreana (k-pop).
O que se percebeu ao longo das décadas de evolução da música pop coreana, foi a sua utilização como uma ferramenta política e, nesse sentido, separamos algumas curiosidades interessantes e algumas polêmicas sobre k-pop.
1 Seguindo a onda hallyu, o líder norte coreano, Kim Jong-un, criou seu próprio grupo de k-pop.
O grupo formado apenas por mulheres, Moranbong, também conhecido como Orquestra Moran Hill, foi criada em 2012. Kim Jong-un disse ter escolhida todas particularmente, como parte de um esforço de modernização cultural.

2 Perante a rivalidade com a Coreia do Norte em relação aos testes nucleares, a Coreia do Sul realizou um protesto nas fronteiras, tocando k-pop em alto-falantes.
A Coreia do Sul, frente às tensões com Kim Jong-un, líder norte-coreano, no início de 2016, colocou k-pop nos alto-falantes que ficam perto das fronteiras entre os países. Músicas como “Just Let Us Love“, de Apink, e “Bang Bang Bang“, de Big Bang, ecoaram no espaço aéreo do norte logo após mensagens políticas marcantes. Jang Jin-sung, ex-oficial de propaganda norte-coreano, disse que as transmissões dos alto-falantes eram “semelhantes a uma versão pacífica da bomba nuclear”.
3 Músicas de k-pop são utilizadas por candidatos políticos sul-coreanos em suas campanhas eleitorais.
A música “Cheer Up” do Twice, lançada em 2016, foi remixada e utilizada na campanha de eleição presidencial do atual presidente sul-coreano Moon Jae-in e do candidato Yoo Seung-min. As músicas, “Um Oh Ah Yea”, de Mamamoo, “Mackerel”, de Norazo, e “Run To You”, do DJ Doc, também foram usadas nas eleições de 2017.
4 Uma das integrantes do Grupo Twice, formado pela JYP Entertainment, se envolveu em uma polêmica transnacional envolvendo Coreia do Sul, China e Taiwan.
A cantora Tzuyu mostrou inocentemente a bandeira da República da China – nome oficial de Taiwan – junto com a bandeira da Coreia, em um programa de variedades exibido on-line. A polêmica teve início quando Huang An, celebridade chinesa pró-China, insultou Tzuyu e a nomeou como alguém que apoia a independência de Taiwan. Diversos eventos do grupo na China foram cancelados, o acordo entre LG e Huawei para a filmagem de um comercial foi desfeito e a Kuwo Music (a versão chinesa do Spotify) excluiu todas as canções e vídeos de artistas da JYP. A Hunan TV (uma rede de TV chinesa com forte presença de artistas de k-pop) na qual vários artistas de K-pop são convidados) declarou que não convidam para seus shows grupos que apoiam a independência de Taiwan. E no meio de toda essa confusão à presidência na época do ocorrido, Tsai Ing-wen, que acabou por vencer as eleições, se declarou a respeito, ao dizer que esse incidente é importante para mostrar a união do povo e a força da população, dando total apoio a Tzuyu.
5 Devido às melhorias nas relações entre China e Coreia do Sul, o Banco da Coreia divulgou um notável aumento em receitas no 1T2019.
Segundo o Hyundai Research Institute (HRI), o impacto econômico, ou “BTS Effect”, do grupo de kpop BTS chegará a 56,2 trilhões de won (US$ 49,8 bilhões) em até 10 anos, ultrapassando o do Jogos olímpicos de inverno de PyeongChang, em 2018, que atingiram 41,6 trilhões de won. A declaração do Banco da Coreia foi que a Balança de Valores para música e entretenimento atingiu US$ 114,7 milhões no primeiro trimestre de 2019, devido ao sucesso global do BTS e a melhoria do relacionamento entre a China e a Coreia do Sul.
6 Integrante do grupo BTS faz discurso na Assembleia Geral da ONU contra violência infantil.
Em 2018, Kim Namjoon, também conhecido como RM, líder do grupo BTS realizou um discurso na Assembleia Geral da ONU. No pronunciamento, ele falou sobre a parceria da banda com a UNICEF para a campanha #ENDViolence, com o objetivo de proteger crianças e jovens em todo o mundo da violência.

7 Integrantes do BTS utilizam acessórios que remetem à Segunda Guerra, causando tensões com fãs japoneses e judeus.
A situação ganhou destaque, quando uma rede de televisão japonesa cancelou a transmissão de um show do grupo. A decisão tomada, segundo a emissora, foi devido a um dos integrantes do grupo aparecer vestindo uma camiseta que foi interpretada nas redes sociais como uma celebração a bomba de Hiroshima, fato que desencadeou uma série de críticas nas redes sociais. A camiseta trazia slogans patrióticos junto a imagem do bombardeio na cidade japonesa no fim da segunda Guerra Mundial, em 1945.
Os fãs japoneses da banda consideraram a camiseta um insulto e desrespeito a vida humana. O grupo não pediu desculpas oficiais sobre o acontecimento, apesar de lamentar o cancelamento da apresentação. Além desta ocasião, outro tema controverso ocorreu: O Centro Simon Wiesenthal, grupo judeu de direitos humanos, condenou os integrantes do BTS por zombar do passado. Uma sessão de fotos de 2015 ressurgiu nas redes sociais, revelando que os cantores posaram com chapéus que ostentavam um símbolo nazista da unidade que controlava os campos de concentração.

O primeiro grupo reconhecido como pertencente do gênero foi criado em 1992 e se chamava Seo Taiji e Boys. Eles utilizavam diferentes estilos e gêneros de música e a integração de elementos musicais estrangeiros, que ajudaram a remodelar e modernizar a cena musical contemporânea da Coreia do Sul. Após uma queda de popularidade em meados da década de 1990, o início dos anos 2000 trouxe nomes como BoA e TVXQ, que se tornaram responsáveis pela popularização internacional do k-pop. Hoje em dia os principais grupos são BTS, TWICE, BLACK PINK, entre outros reconhecidos como da terceira geração da onda coreana. Desta forma, as curiosidades acima apresentadas são decorrentes do histórico de formação do k-pop como uma potencial ferramenta política, e em certos casos, causar até mesmo conflitos nas relações entre países asiáticos.
Por Luzia Maria
