ORIENTE MÉDIO: chokepoints regionais

A análise dos chokepoints no Oriente Médio explica a complexidade das questões regionais. A região é marcada por possuir importantes rotas marítimas comerciais em seu entorno e ser composta por importantes atores do mercado internacional de petróleo, como Arábia Saudita e Irã, principais exportadores regionais.

O bloqueio de um desses chokepoints poderia escalar em uma crise em diversos países os quais têm parcerias ou negócios no Oriente Médio, bem como os países locais os quais utilizam destas rotas para manterem suas exportações. Os conflitos na região devem ser observados de perto, pois quaisquer complicações nas estreitas passagens marítimas podem gerar negativas repercussões internacionais.

Os três principais chokepoints a serem analisados são: Canal de Suez (1), interligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho; o Estreito de Bab el-Mandeb (2), ligando o Mar Vermelho ao Oceano índico e o Estreito de Ormuz (3), o qual liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, sendo este o mais importante ponto estratégico, por onde se escoa ⅓ do petróleo mundial advindo do Irã ou países do Golfo, como Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. Desta forma, é facilitada a compreensão pelas disputas de poder e controle destas áreas, traduzidas a partir da presença de grandes potências nestes locais, como por exemplo bases militares da China, França e demais potências no Djibouti, Quinta Esquadra dos EUA no Bahrein, dentre outros.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

SUDÃO: a queda de Omar al-Bashir

Na última quinta-feira, o presidente Omar al-Bashir foi deposto de seu cargo após 30 anos no poder. Uma série de protestos levaram à detenção do principal ator do governo autoritário sudanês, o qual foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O país passa por um cenário de grave crise econômica, a qual se intensificou após a secessão com o Sudão do Sul em 2011, gerando uma perda dos campos petrolíferos, estes ficando com o Sul.

Contudo, o caminho a se percorrer será mais árduo do que se aparentou. Será executado um plano de governo de transição pelos próximos dois anos, até a próxima eleição, liderado por militares. O líder do Conselho Militar de transição seria o ministro de defesa e general Awad Bin Auf, porém a situação gerou descontentamento da população devido à sua proximidade com o deposto presidente, ambos acusados de crimes de guerra na conflituosa região de Darfur.

Pressionado, Awad Bin Auf renunciou do cargo de líder do Conselho de transição, o que levou a população às ruas para comemorações. Quem ocupou o cargo de líder do Conselho de transição após a renúncia foi o general Abdel Fattah al-Burhan, gerando um sentimento de esperança na população, visto que o mesmo não possui filiação política com o antigo governo e se mostra mais disposto à conversas com os civis.

Hoje, al-Burhan encontra-se com líderes de oposição e protestantes na capital Cartum, visando promover um diálogo e observar as demandas da população. Mas o mesmo já prometeu, de antemão, que após os dois anos do governo de transição irá instituir-se um governo civil.

É necessário acompanhar de perto o desenrolar dos ocorridos, clamando cada vez mais por atenção da comunidade internacional e visibilidade à população a qual sofre constantemente violações de direitos humanos.

Acompanhe a situação em: www.aljazeera.com

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)
Fonte: Al Jazeera

IÊMEN: o país assolado pela guerra civil

O país localizado no Oriente Médio tem sido palco de intensos conflitos desde 2015. De um lado, atua o governo do Iêmen, e de outro, as forças rebeldes houthis. A guerra civil envolve duas importantes potências da região: Arábia Saudita e Irã. A coalizão liderada pela Arábia Saudita apoia o governo iemenita, e o seu inimigo regional Irã apoia os rebeldes houthis, cenário o qual chama-se guerra por procuração (proxy war).

O conflito já deixou mais de 20 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, visto que as tropas humanitárias são muitas vezes impedidas de entrar no país. É observada cada vez mais a pressão internacional para a resolução do conflito, porém é difícil visualizar uma trajetória de paz na região enquanto os grupos não entrarem em pleno acordo de cessar fogo.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

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