
Na última quinta-feira, o presidente Omar al-Bashir foi deposto de seu cargo após 30 anos no poder. Uma série de protestos levaram à detenção do principal ator do governo autoritário sudanês, o qual foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O país passa por um cenário de grave crise econômica, a qual se intensificou após a secessão com o Sudão do Sul em 2011, gerando uma perda dos campos petrolíferos, estes ficando com o Sul.
Contudo, o caminho a se percorrer será mais árduo do que se aparentou. Será executado um plano de governo de transição pelos próximos dois anos, até a próxima eleição, liderado por militares. O líder do Conselho Militar de transição seria o ministro de defesa e general Awad Bin Auf, porém a situação gerou descontentamento da população devido à sua proximidade com o deposto presidente, ambos acusados de crimes de guerra na conflituosa região de Darfur.
Pressionado, Awad Bin Auf renunciou do cargo de líder do Conselho de transição, o que levou a população às ruas para comemorações. Quem ocupou o cargo de líder do Conselho de transição após a renúncia foi o general Abdel Fattah al-Burhan, gerando um sentimento de esperança na população, visto que o mesmo não possui filiação política com o antigo governo e se mostra mais disposto à conversas com os civis.
Hoje, al-Burhan encontra-se com líderes de oposição e protestantes na capital Cartum, visando promover um diálogo e observar as demandas da população. Mas o mesmo já prometeu, de antemão, que após os dois anos do governo de transição irá instituir-se um governo civil.
É necessário acompanhar de perto o desenrolar dos ocorridos, clamando cada vez mais por atenção da comunidade internacional e visibilidade à população a qual sofre constantemente violações de direitos humanos.
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Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)
Fonte: Al Jazeera
