CHINA: a Nova Rota da Seda

A Nova Rota da Seda é um projeto chinês criado a partir do Cinturão Econômico da Rota da Seda, do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e da Rota da Seda Marítima do Século XXI. A junção desses três projetos forma a chamada One Belt & One Road Initiative, que foi considerada elemento chave para o Partido Comunista Chinês até 2020. O governo lançou o detalhamento de seu plano em 2015. A Nova Rota da Seda está inserida em um contexto no qual Xi Jinping busca construir uma narrativa de “sonho chinês” e de “make China great again” para o rejuvenescimento da China.

Nesse sentido, o governo chinês desenhou um projeto de conectividade, que: 1) ajudasse a acelerar novamente o crescimento econômico, através de novas parcerias comerciais, facilitação do comércio e eliminação de barreiras; 2) aumentasse sua influência internacional, em uma conjuntura na qual os Estados Unidos tem recuado cada vez mais com o governo de Donald Trump, havendo assim um certo vácuo no Sistema Internacional que a China poderia ocupar; 3) investisse na melhoria da infraestrutura de países que não recebem atenção das instituições internacionais. Portanto, a iniciativa tem como principais pilares a infraestrutura e o desenvolvimento regionais e globais.

Os investimentos no âmbito da Nova Rota da Seda são feitos, principalmente, pelo Fundo da Rota da Seda que foi criado em 2014 com um capital de 40 bilhões de dólares, pelo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o qual, inicialmente, investiu 100 bilhões de dólares e pelo Banco de Desenvolvimento da China que investiu 110 bilhões de dólares no projeto (dados obtidos no jornal Público).

Em termos geográficos, planeja-se construir rotas por terra compostas por ferrovias e rodovias, rotas marítimas e também oleodutos e gasodutos. Por terra, uma delas vai da China através da Ásia Central e Rússia para a Europa, outra da China através da Ásia Central e do Oeste asiático para o Golfo Pérsico e o Mediterrâneo, por fim uma vai da China através do Sudeste e Sul asiático para o Oceano Índico.

Já as rotas marítimas vão desde a costa chinesa através do Mar do Sul da China e do Oceano Índico se estendendo pela África e Europa e também do Mar do Sul da China para o Oceano Pacífico. Tudo isso para que os novos mercados alcançados possam consumir produtos chineses. Nesse espaço geográfico, a iniciativa inclui pelo menos 60 países que comportam aproximadamente 64% da população mundial e 30% do PIB mundial, por isso a Nova Rota da Seda tem chamado atenção de governos e instituições que estejam incluídos, ou não, nela.

Portanto, a Nova Rota da Seda é um projeto de conectividade entre a China e o mundo impulsionado por fatores econômicos, como o próprio crescimento chinês, mas também pela necessidade de apoiar o desenvolvimento de outras regiões no globo, que estão construindo uma nova realidade à qual a economia internacional precisa e adaptar. Essa iniciativa se aproveita de um vácuo de poder deixado pelo governo Trump no Sistema Internacional no qual a China pode se encaixar já que cresceu a ponto de não conseguir mais se esconder por trás da política externa low profile que tinha antes do governo de Xi Jinping.

Por: Ana Clara Luquett (@aluquett)

BRASIL: queimadas no Pantanal

De agosto a 4 de novembro de 2019, o Pantanal enfrentou um aumento de 506% dos focos de incêndio em comparação ao mesmo intervalo de 2018, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O governo do Mato Grosso do Sul estimou a área total destruída em 1,3 milhões de hectares e, em setembro, decretou estado de emergência. As labaredas chegaram a mais de dez metros de altura e formaram uma cortina de fumaça, que transformou o dia em noite, reduzindo a visibilidade de quem trafegava pela BR-262, que liga Campo Grande, capital do MS, com Corumbá, cidade que faz fronteira com a Bolívia.

O Pantanal brasileiro, localizado no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é a maior planície alagada do planeta, contendo cerca de 80% de sua vegetação nativa preservada e possui como principal economia a agropecuária. Além da rica diversidade de seu ecossistema, nele estão presentes comunidades tradicionais importantes para a formação e preservação cultural da região, como a da Barra de São Lourenço e os Kadiwéu.

Devido às características desse bioma, como as condições climáticas e o tipo de vegetação, a região acaba por ser mais propensa às queimadas, sendo até mesmo uma prática histórica. Essa ação é necessária muitas vezes para o preparo do solo para o plantio e formação de pasto, feita por fazendeiros e grupos tradicionais da região. De forma a evitar incêndios generalizados, há uma fiscalização feita pela Polícia Militar Ambiental. Um exemplo é que as queimadas entre julho e outubro são inteiramente proibidas, uma vez que é nesse período de estiagem e seca que elas são mais comuns e perigosas. Devido a esse recente desastre ambiental, a restrição foi prorrogada para o fim de novembro.

O estado do MS contou com o apoio de diversos órgãos, entre eles o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Comando Militar do Oeste do Exército Brasileiro para combate ao fogo, que foi controlado no dia 8/11. 

Corumbá foi a cidade mais afetada. O fogo destruiu cabos de fibra óptica responsável pela rede de internet e energia do município, o que o isolou por alguns dias. Além disso, as chamas quase alcançaram onde estão sendo instaladas as torres de comunicação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), do Ministério da Defesa. Os incêndios destruíram, também, milhares de hectares da palmeira acuri, planta fundamental para a alimentação do gado e das araras-azuis, que pode voltar pra lista das aves com risco de extinção, uma vez que o Refúgio Ecológico Caiman (REC), maior centro de reprodução da espécie no Pantanal, foi atingido pelo fogo. 

O INPE registrou o maior número de focos de incêndio no Pantanal desde 2005 e o fogo só começou a se apagar graças às chuvas, que chegaram com atraso. O governo e centros de pesquisa ainda não conseguiram concluir qual será o tamanho do impacto na economia e no meio ambiente após esses acontecimentos. Ademais, deverão ficar atentos a esse impacto, uma vez que o Governo Federal, em 6/11, revogou o decreto 6.961/2009, que proibia o cultivo da cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal e evitava a incidência de incêndios de grandes proporções.

Por: Bárbara Lya (@barbaralya) e Leticia Flor (@ticiaflor)

NICARÁGUA: a crise da previdência

A atual crise que assola a República da Nicarágua se iniciou no dia 17 de abril de 2018, quando o presidente Daniel Ortega estabeleceu um decreto sobre a reforma da previdência que como resultado causaria uma notável diminuição das contas de aposentadorias da população.

A resposta dos grupos antigoverno, compostos majoritariamente por jovens e estudantes, foi protestar nas ruas a partir do dia 18 de abril do último ano, sendo recebidos com extrema violência por parte de grupos paramilitares pró-governo, conhecidos como Turbas Sandinistas.

Os manifestantes não querem só derrubar o decreto, mas a saída de Ortega do poder. Contudo, falta vontade por parte do presidente e de seus aliados em dialogar em prol do fim da crise, deste modo as manifestações ocorrem até os dias atuais. O presidente é acusado de nepotismo, corrupção e autoritarismo, além de encobrir execuções extrajudiciais.

De acordo com a imprensa internacional, mais de 400 mortes já foram notificadas desde o início das manifestações. Houve também relatos de torturas, desaparecimentos, violações sexuais, sequestros e presos políticos. Além disso, segundo dados da Autoridade Migratória da Costa Rica – país fronteiriço da Nicarágua –, divulgados em março de 2019, estipula-se que existem cerca de 55,5 mil nicaraguenses refugiados no país, destes, aproximadamente 26 mil ainda estão à espera da aprovação do pedido de refúgio.

Outra consequência foi a diminuição da projeção de crescimento econômico que caiu de 4,9% para 1% em 2018, segundo dados do Banco Central. Os setores que mais devem ser atingidos pelas turbulências serão o do comércio, com perdas de 673 milhões de dólares, e do turismo, com 159 milhões de dólares.

Por: Laura Leonor Azevedo ( @laorawho)

CHILE: a população chilena se manifesta

Os protestos da população chilena começaram a partir de manifestações estudantis contrárias ao aumento da passagem de metrô de 30 pesos (aproximadamente R$ 0,16 [Fonte: Banco Central do Brasil]), totalizando 830 pesos. Essas manifestações envolviam, além de passeatas concentradas na capital Santiago, depredação de estações, quebra e pulos de catracas (“evasiones“) e confrontos com a polícia.

O movimento se intensificou depois da constatação de “estado de emergência” pelo presidente Sebastián Piñera, configurando a entrada do exército no confronto com os manifestantes e o decreto de toque de recolher (o primeiro desde a redemocratização do país, que ocorreu em 1990). Nesse momento, os atos políticos passaram a ficar mais violentos, a atingir outras cidades e a abranger, em suas pautas, outras insatisfações históricas em relação ao modelo político-econômico neoliberal, com características remanescentes, inclusive, do período ditatorial (1973-1990).

Dentre as principais reivindicações estão reformas estruturais profundas, como: o fim do modelo previdenciário de capitalização (exemplo a ser seguido, de acordo com ministros brasileiros); a gratuidade e a universalidade dos sistemas de saúde e de educação; reformas econômicas para diminuir a desigualdade; a questão de terra da população “Mapuche”; e a deposição do atual presidente e de todo o seu gabinete.

Após declarações violentas contra as manifestações – “Estamos em guerra contra um inimigo poderoso” –, Piñera pediu desculpas ao povo chileno, apresentou um pacote de aumento orçamentário para algumas vulnerabilidades sociais e suspendeu o estado de emergência (28/10). Ainda assim, o movimento continua a clamar por suas pautas, totalizando 20 mortes (28/10) e diversos abusos de direitos humanos por parte de agentes do Estado. A insatisfação popular no Chile se mostra pertinente pela legitimidade democrática da participação política da sociedade e perigosa pela incerteza da garantia dos direitos humanos.

Por João Felipe Ferraz ( @jlipe_ferraz)

DJIBOUTI: o estratégico país ocupado por tropas estrangeiras

O país da costa leste do continente africano possui grande importância estratégica devido à sua localização no Estreito de Bab-el-Mandeb, chokepoint que faz ligação do Mar Vermelho ao Mar Arábico, sendo parte da rota marítima mais rápida entre Europa e Ásia. A presença estrangeira no Djibouti se traduz por meio de bases militares da França, Estados Unidos, Itália, Japão e China, e um porto chinês. Outros países na costa do Mar Vermelho como Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália também são utilizados por Estados fora do continente africano para a projeção de poder, com as narrativas de alavancar a infraestrutura local e combate ao terrorismo regional.

O país que possui mais bases e portos na costa leste africana é o Emirados Árabes Unidos e, devido à sua proximidade geográfica com o continente, a presença no local torna-se mais viável do que os demais países ocidentais.

O interesse em estar próximo às principais rotas de comércio globais explicita o desejo das economias globais de se lançarem cada vez mais nos territórios localizados estrategicamente, independentemente de sua economia local.

Contudo, parte da população destes países não enxerga a ocupação estrangeira como uma oportunidade de crescimento econômico, como algumas potências defendem, mas como uma violação da soberania dos países. Logo, as instalações estrangeiras se mostram, por vezes, problemáticas às reais situações humanitárias e econômicas dos países africanos, apesar dos superficiais projetos de crescimento locais.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

TRÍPLICE FRONTEIRA: grupo antiterrorista no Cone Sul

Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai

Argentina, Brasil, Paraguai e Estados Unidos se uniram com a finalidade de criar um grupo de coordenação antiterrorista para fiscalizar a Tríplice Fronteira entre os países sul-americanos. Essa iniciativa de cooperação tem como principal intuito investigar atividades ilegais transfronteiriças que financiam o partido político libanês, Hezbollah, de acordo com alguns serviços de espionagem.

Nos últimos meses, Argentina e Paraguai passaram a considerar o grupo como organização terrorista internacional, assim como os Estados Unidos constatam há anos. Pela perspectiva argentina, a colocação do poder executivo, além de possuir um ressentimento histórico pelo atentado contra a sede da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) — ocorrrido há 25 anos, e tendo o Hezbollah como suspeito considerado —, tem também motivações político-econômicas para a criminalização do grupo. Em meio à grave crise econômica do país, a esperança de estabilidade financeira do Governo Macri, importante fator para a reeleição do presidente em outubro desse ano, vem por meio do empréstimo bilionário (US$ 56,3 bilhões) do FMI, que, por sua vez, tem os EUA como seu principal acionista.

O Brasil não tem a mesma posição dos demais países até então, porém, seguindo a semelhante postura político-ideológica dos outros três países, tudo indica que haverá um pronunciamento abordando a questão dessa mesma forma em breve, seguindo a lógica das declarações do provável futuro embaixador do Brasil nos EUA, Eduardo Bolsonaro. Deve-se ficar atento(a) a essa importante discussão, considerando também que um grande aliado do grupo libanês é o Irã, país com quem o Brasil atingiu um importante superávit comercial em 2018 (US$ 2,2 bilhões).

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

CHINA E HONG KONG: um governo, dois sistemas

Com os recentes conflitos internos em Hong Kong, é importante buscar esclarecer a relação China-Hong Kong. Vocês sabiam que Hong Kong faz parte da China? Na verdade, chama-se Região Administrativa Especial da China, uma região administrada pelo governo central chinês, porém com seu próprio sistema político e econômico.

Hong Kong pertenceu à China até 1842, quando, após a Guerra do Ópio, foi tomada pelos ingleses e tornou-se uma colônia britânica, possuindo até os dias atuais heranças coloniais. Apenas em 1997, Hong Kong foi devolvida aos chineses e, no mesmo ano, foi implementada a política “um governo, dois sistemas”. Esta política atesta que Hong Kong deve coexistir junto à China por 50 anos, ou seja, até 2047.

Mas o que isso significa? Hong Kong possui seu próprio sistema, com alto grau de autonomia política e uma maior abertura ao capitalismo. Diferentemente da China continental, Hong Kong mantém o inglês como uma das línguas oficiais, é aberto às redes sociais e aplicativos ocidentais como Facebook, Twitter, Youtube, Google, etc… e possui uma relação mais estreita com o Ocidente, sendo muitas vezes rota de exportação e importação para Pequim.

Além destas questões, cabe citar que Hong Kong tem como moeda oficial o dólar de Hong Kong, que mantém uma paridade fixa com o dólar dos EUA, enquanto Pequim utiliza o Renminbi.

Todas essas divergências levam à insatisfações da população de Hong Kong, visto que estes não escolhem seus governantes (a decisão parte de um seleto grupo de autoridades chinesas) e se vêem presos sob o guarda-chuva do governo chinês continental.

Em fevereiro deste ano, as autoridades de Hong Kong divulgaram uma modificação da lei de extradição do país. Desta forma, presos de Hong Kong poderiam ser extraditados para a China continental e serem julgados de acordo com o sistema legal chinês. Esta ação foi vista como mais um ataque de Pequim à autonomia de Hong Kong e gerou o maior movimento de protestos em HK desde que a cidade voltou a integrar a China.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

ÍNDIA E PAQUISTÃO: a questão da Caxemira

A Caxemira é um dos lugares mais estratégicos do mundo, onde 3 países poderosos colidem: Índia, Paquistão e China.

As disputas por fronteiras são o alicerce desse conflito. Então, é importante começar quando essas fronteiras são traçadas. Em meados do século XIX, a Índia era uma colcha de retalhos de várias províncias e Estados sob o domínio britânico. Quando a Índia britânica ganhou a independência, a região foi dividida em duas.

Por um lado, um novo país de maioria muçulmana, o Paquistão. E por outro, de maioria hindu, a Índia.

Em meio a guerra, motivada pelo desejo de controle total da região, alguns Estados tiveram a opção de se juntar a qualquer um dos países. Na maioria dos casos, o líder local seguiu a vontade de seu povo, mas a região chamado “Jammu e Caxemira” foi diferente. Essa região tinha uma população de maioria muçulmana, mas foi governada por um hindu. Quando solicitado a escolher um lado, escolheu permanecer neutro.

Ao longo do tempo, Caxemira foi mantida dividida e ocupada. Tornou-se um dos lugares mais militarizados da terra. Um campo de batalha entre duas nações com armas nucleares, Índia e Paquistão. Os dois países, enviavam aviões, tanques, artilharia e soldados ao longo da linha de controle. Tropas ocupam a região que cometeram violações de direitos humanos como estupro, tortura e desaparecimentos forçados que ainda continuam hoje.

Por: Shakila Ahmad (@shakilaahmad)

ESTREITO DE DRAKE: o mar mais perigoso do mundo

O Estreito de Drake é a passagem que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, localizada ao sul do continente da América do Sul. Conhecido como “o mar mais perigoso do mundo”, o estreito é batizado com o nome de um explorador britânico do século XVI, Francis Drake, que, ironicamente, nunca passou por essa rota.

A passagem possui 650 quilômetros e se caracteriza por ser o menor atalho entre os demais continentes do mundo e a Antártica. Sua estigma de “perigoso” pode ser justificada pela carência de ilhas, que, combinada à massa de ar polar concentrada, provoca um intenso fluxo de ventos e frentes frias. Essa condição ocasiona uma imprevisibilidade meteorológica, pondo sempre em questão a conjuntura climática, surpreendendo os navegadores.

A travessia é obrigatória por navios originários do Chile e com destino à Antártica, em sua maioria com intuito de pesquisa. Já os navios que pretendem cruzar os oceanos dão preferência à passagem pelo Estreito de Magalhães, que, por sua vez, possui uma navegação mais tranquila e se localiza no cabo Horn, no sul chileno.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

UNIÃO AFRICANA: área de livre comércio continental africana

No dia 7 de julho, a União Africana lançou o Acordo de Livre Comércio Continental Africano em uma cúpula em Niamey, no Níger. O tratado abrangerá os 55 países da organização, exceto a Eritréia, configurando a maior área (zona) de livre comércio do mundo. O acordo entrará em vigor no ano de 2020, e é previsto um aumento de 60% do comércio na África, até 2022.

Conceitualmente, essa forma de integração regional consiste na remoção total ou parcial de tarifas que envolvem relações comerciais entre os países, e tem como principal objetivo o “desenvolvimento econômico” dos países envolvidos. Buscando diversificar o modo das operações, a União Africana busca impor o diferencial do sistema de pagamento pan-Africano, que consiste na busca por outras alternativas monetárias ao Dólar americano e ao Euro.

Por mais que o otimismo inicial da fase operacional do projeto seja grande, é importante destacar que o continente africano já possui outros blocos regionais, como a SADC (África Austral) e a EAC (África Oriental). Além disso, dentre esses 54 países, a organização engloba grandes economias mundiais — Nigéria e África do Sul —, como também algumas das mais pobres — Guiné-Bissau, Gâmbia, Djibouti, Cabo Verde.

Vale a pena acompanhar o desenvolvimento dessa integração por se tratar de uma estratégia econômica entre países muito distintos, apesar de similaridades históricas em comum. Juntamente à suspensão de políticas econômicas protecionistas, essa disparidade pode representar a prevalência de economias que possuem melhores condições de produção e já exportam bens de maior valor agregado. E assim, a consequente precarização de setores industriais menores, devido a concorrência desigual.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora