BRASIL: queimadas no Pantanal

De agosto a 4 de novembro de 2019, o Pantanal enfrentou um aumento de 506% dos focos de incêndio em comparação ao mesmo intervalo de 2018, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O governo do Mato Grosso do Sul estimou a área total destruída em 1,3 milhões de hectares e, em setembro, decretou estado de emergência. As labaredas chegaram a mais de dez metros de altura e formaram uma cortina de fumaça, que transformou o dia em noite, reduzindo a visibilidade de quem trafegava pela BR-262, que liga Campo Grande, capital do MS, com Corumbá, cidade que faz fronteira com a Bolívia.

O Pantanal brasileiro, localizado no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é a maior planície alagada do planeta, contendo cerca de 80% de sua vegetação nativa preservada e possui como principal economia a agropecuária. Além da rica diversidade de seu ecossistema, nele estão presentes comunidades tradicionais importantes para a formação e preservação cultural da região, como a da Barra de São Lourenço e os Kadiwéu.

Devido às características desse bioma, como as condições climáticas e o tipo de vegetação, a região acaba por ser mais propensa às queimadas, sendo até mesmo uma prática histórica. Essa ação é necessária muitas vezes para o preparo do solo para o plantio e formação de pasto, feita por fazendeiros e grupos tradicionais da região. De forma a evitar incêndios generalizados, há uma fiscalização feita pela Polícia Militar Ambiental. Um exemplo é que as queimadas entre julho e outubro são inteiramente proibidas, uma vez que é nesse período de estiagem e seca que elas são mais comuns e perigosas. Devido a esse recente desastre ambiental, a restrição foi prorrogada para o fim de novembro.

O estado do MS contou com o apoio de diversos órgãos, entre eles o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Comando Militar do Oeste do Exército Brasileiro para combate ao fogo, que foi controlado no dia 8/11. 

Corumbá foi a cidade mais afetada. O fogo destruiu cabos de fibra óptica responsável pela rede de internet e energia do município, o que o isolou por alguns dias. Além disso, as chamas quase alcançaram onde estão sendo instaladas as torres de comunicação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), do Ministério da Defesa. Os incêndios destruíram, também, milhares de hectares da palmeira acuri, planta fundamental para a alimentação do gado e das araras-azuis, que pode voltar pra lista das aves com risco de extinção, uma vez que o Refúgio Ecológico Caiman (REC), maior centro de reprodução da espécie no Pantanal, foi atingido pelo fogo. 

O INPE registrou o maior número de focos de incêndio no Pantanal desde 2005 e o fogo só começou a se apagar graças às chuvas, que chegaram com atraso. O governo e centros de pesquisa ainda não conseguiram concluir qual será o tamanho do impacto na economia e no meio ambiente após esses acontecimentos. Ademais, deverão ficar atentos a esse impacto, uma vez que o Governo Federal, em 6/11, revogou o decreto 6.961/2009, que proibia o cultivo da cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal e evitava a incidência de incêndios de grandes proporções.

Por: Bárbara Lya (@barbaralya) e Leticia Flor (@ticiaflor)

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