No dia 27/09, iniciaram novos confrontos entre as forças da Armênia e do Azerbaijão na região da autoproclamada República de Artsaque, mais conhecida pelo seu antigo nome República do Nagorno-Karabakh. Ambos os países declararam Lei Marcial, ou seja, estão preparando suas populações para uma possível guerra. Embora não saibam o estopim para o conflitos, ambos os países se acusam mutuamente.
Apesar do cessar-fogo que existia, há relatos de violações da trégua e provocações diplomáticas entre os azeris e armênios, povos que habitam a região.
A disputa hegemônica em andamento entre os Estados Unidos e a China tem gerado uma preocupação internacional cada vez maior, sendo considerada por alguns analistas a Guerra Fria do século XXI, com o incremento de que a China possui uma relevância econômica notável no sistema internacional, estando conectada com as mais diversas redes de suprimentos globais. Nas últimas semanas, as tensões entre as potências têm se acirrado, e a situação é explicitada através do encerramento das atividades de ambos os consulados nos países em questão. O fechamento do consulado chinês em território estadunidense, em Houston (24/07), adveio de uma ordem de Donald Trump, com a justificativa de espionagem chinesa e roubo de material intelectual. Como resposta, a China ordenou o fechamento do consulado estadunidense no território chinês, em Chengdu, realizado no dia 27 de julho.
O Parlamento chinês, no dia 28 de março de 2020, por meio de uma votação entre os quase 3 mil deputados do Congresso Nacional do Povo (CNP), órgão máximo legislativo da China, aprovou uma lei de segurança nacional sobre Hong Kong. A votação concede mandato ao Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular para redigir um projeto de lei que será incorporado à pequena Constituição de Hong Kong, evitando assim a opinião do Conselho Legislativo local. Os 2885 deputados do CNP, aprovaram a medida, que foi celebrada com aplauso pelos parlamentares, que são na maioria membros do Partido Comunista da China (PCC), partido que governa a China desde 1949.
A hallyu, ou onda coreana, representa a popularização da cultura sul-coreana a partir dos anos 1990. O termo foi criado por jornalistas de Pequim, que se surpreenderam com a crescente popularidade da cultura sul-coreana na China. Esse fenômeno teve início com a exportação de dramas coreanos e posteriormente de músicas e filmes. E de um fenômeno regional, teve efeito internacional com a divulgação em massa da música pop coreana (k-pop).
O que se percebeu ao longo das décadas de evolução da música pop coreana, foi a sua utilização como uma ferramenta política e, nesse sentido, separamos algumas curiosidades interessantes e algumas polêmicas sobre k-pop.
1 Seguindo a onda hallyu, o líder norte coreano, Kim Jong-un, criou seu próprio grupo de k-pop. O grupo formado apenas por mulheres, Moranbong, também conhecido como Orquestra Moran Hill, foi criada em 2012. Kim Jong-un disse ter escolhida todas particularmente, como parte de um esforço de modernização cultural.
Grupo Moranbong (foto: divulgação)
2 Perante a rivalidade com a Coreia do Norte em relação aos testes nucleares, a Coreia do Sul realizou um protesto nas fronteiras, tocando k-pop em alto-falantes. A Coreia do Sul, frente às tensões com Kim Jong-un, líder norte-coreano, no início de 2016, colocou k-pop nos alto-falantes que ficam perto das fronteiras entre os países. Músicas como “Just Let Us Love“, de Apink, e “Bang Bang Bang“, de Big Bang, ecoaram no espaço aéreo do norte logo após mensagens políticas marcantes. Jang Jin-sung, ex-oficial de propaganda norte-coreano, disse que as transmissões dos alto-falantes eram “semelhantes a uma versão pacífica da bomba nuclear”.
3 Músicas de k-pop são utilizadas por candidatos políticos sul-coreanos em suas campanhas eleitorais. A música “Cheer Up” do Twice, lançada em 2016, foi remixada e utilizada na campanha de eleição presidencial do atual presidente sul-coreano Moon Jae-in e do candidato Yoo Seung-min. As músicas, “Um Oh Ah Yea”, de Mamamoo, “Mackerel”, de Norazo, e “Run To You”, do DJ Doc, também foram usadas nas eleições de 2017.
4 Uma das integrantes do Grupo Twice, formado pela JYP Entertainment, se envolveu em uma polêmica transnacional envolvendo Coreia do Sul, China e Taiwan. A cantora Tzuyu mostrou inocentemente a bandeira da República da China – nome oficial de Taiwan – junto com a bandeira da Coreia, em um programa de variedades exibido on-line. A polêmica teve início quando Huang An, celebridade chinesa pró-China, insultou Tzuyu e a nomeou como alguém que apoia a independência de Taiwan. Diversos eventos do grupo na China foram cancelados, o acordo entre LG e Huawei para a filmagem de um comercial foi desfeito e a Kuwo Music (a versão chinesa do Spotify) excluiu todas as canções e vídeos de artistas da JYP. A Hunan TV (uma rede de TV chinesa com forte presença de artistas de k-pop) na qual vários artistas de K-pop são convidados) declarou que não convidam para seus shows grupos que apoiam a independência de Taiwan. E no meio de toda essa confusão à presidência na época do ocorrido, Tsai Ing-wen, que acabou por vencer as eleições, se declarou a respeito, ao dizer que esse incidente é importante para mostrar a união do povo e a força da população, dando total apoio a Tzuyu.
5 Devido às melhorias nas relações entre China e Coreia do Sul, o Banco da Coreia divulgou um notável aumento em receitas no 1T2019. Segundo o Hyundai Research Institute (HRI), o impacto econômico, ou “BTS Effect”, do grupo de kpop BTS chegará a 56,2 trilhões de won (US$ 49,8 bilhões) em até 10 anos, ultrapassando o do Jogos olímpicos de inverno de PyeongChang, em 2018, que atingiram 41,6 trilhões de won. A declaração do Banco da Coreia foi que a Balança de Valores para música e entretenimento atingiu US$ 114,7 milhões no primeiro trimestre de 2019, devido ao sucesso global do BTS e a melhoria do relacionamento entre a China e a Coreia do Sul.
6 Integrante do grupo BTS faz discurso na Assembleia Geral da ONU contra violência infantil. Em 2018, Kim Namjoon, também conhecido como RM, líder do grupo BTS realizou um discurso na Assembleia Geral da ONU. No pronunciamento, ele falou sobre a parceria da banda com a UNICEF para a campanha #ENDViolence, com o objetivo de proteger crianças e jovens em todo o mundo da violência.
Grupo BTS e Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF (foto: divulgação)
7 Integrantes do BTS utilizam acessórios que remetem à Segunda Guerra, causando tensões com fãs japoneses e judeus. A situação ganhou destaque, quando uma rede de televisão japonesa cancelou a transmissão de um show do grupo. A decisão tomada, segundo a emissora, foi devido a um dos integrantes do grupo aparecer vestindo uma camiseta que foi interpretada nas redes sociais como uma celebração a bomba de Hiroshima, fato que desencadeou uma série de críticas nas redes sociais. A camiseta trazia slogans patrióticos junto a imagem do bombardeio na cidade japonesa no fim da segunda Guerra Mundial, em 1945. Os fãs japoneses da banda consideraram a camiseta um insulto e desrespeito a vida humana. O grupo não pediu desculpas oficiais sobre o acontecimento, apesar de lamentar o cancelamento da apresentação. Além desta ocasião, outro tema controverso ocorreu: O Centro Simon Wiesenthal, grupo judeu de direitos humanos, condenou os integrantes do BTS por zombar do passado. Uma sessão de fotos de 2015 ressurgiu nas redes sociais, revelando que os cantores posaram com chapéus que ostentavam um símbolo nazista da unidade que controlava os campos de concentração.
(foto: G1)
O primeiro grupo reconhecido como pertencente do gênero foi criado em 1992 e se chamava Seo Taiji e Boys. Eles utilizavam diferentes estilos e gêneros de música e a integração de elementos musicais estrangeiros, que ajudaram a remodelar e modernizar a cena musical contemporânea da Coreia do Sul. Após uma queda de popularidade em meados da década de 1990, o início dos anos 2000 trouxe nomes como BoA e TVXQ, que se tornaram responsáveis pela popularização internacional do k-pop. Hoje em dia os principais grupos são BTS, TWICE, BLACK PINK, entre outros reconhecidos como da terceira geração da onda coreana. Desta forma, as curiosidades acima apresentadas são decorrentes do histórico de formação do k-pop como uma potencial ferramenta política, e em certos casos, causar até mesmo conflitos nas relações entre países asiáticos.
O povo taiwanês foi às urnas no último sábado, 11/01, para a eleição presidencial, que pode vir a determinar o futuro das relações entre a Ilha e Pequim. Com 57,13% dos votos, foi reeleita a atual presidente Tsai Ing-wen, líder do Partido Democrático Progressista (DPP), que defende uma maior autonomia do país frente a China, permanecerá no cargo por mais quatro anos. Ela ganhou de seu principal concorrente, Han Kuo-yu, do Partido Nacionalista ou como é popularmente conhecido, Kuomintang (KMT), tendo conquistado 38,61% dos votos, e que defende a narrativa de que Taiwan deve estar mais aberto às negociações com a China.
Taiwan, oficialmente conhecida como República da China (RC), é uma ilha localizada na costa sul da China, governada independentemente da China continental desde 1949. A República Popular da China (RPC) vê a ilha como uma província, enquanto em Taiwan – território com seu governo eleito democraticamente – os líderes políticos possuem opiniões diferentes sobre o estatuto da ilha. Segundo o Consenso de 1992, entendimento alcançado entre os representantes do Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT, que até então governava Taiwan, existe somente “uma China” e portanto Taiwan não buscaria sua independência.
Entretanto, apesar do partido nacionalista ainda aceitar o consenso como um ponto de partida para futuras negociações com o PCC, a atual presidente da ilha rejeita o acordo. Sua rejeição ao consenso, junto com a de outras vozes do DPP, deixa em aberto uma futura independência de Taiwan, levando o país a maiores tensões com a China.
Esse segundo mandato de Tsai, portanto, não facilitará uma melhoria das relações com a China, que considera Taiwan uma província separatista e promete colocá-la sob controle chinês, caso se faça necessário. Logo após sua primeira vitória, em 2016, as linhas de comunicação entre os países foi cortada, empregando-se táticas de opressão que favoreceram o KMT, que é favorável ao estreitamento de relações com o continente. Estas incluíram demonstrações de força militar, como velejar porta-aviões através do Estreito de Taiwan e caçar aliados diplomáticos ao redor do mundo que reconhecem o país como independente.
Apesar das medidas, os esforços políticos para enfraquecer o DPP não foram alcançados e no primeiro dia de 2019, o líder chinês Xi Jinping afirmou não descartar o uso da força militar para anexar Taiwan. No mesmo mês, Tsai declarou inaceitável a estrutura “um país, dois sistemas”, no qual Hong Kong é governado, e ao refutar as falas do presidente, suas palavras ganharam o impulso necessário em popularidade, que se manteve enquanto os eleitores de Taiwan assistiam os protestos anti-governamentais em Hong Kong, onde muitos desses acreditavam e ainda acreditam na possibilidade do próprio país compartilhar do mesmo destino, caso ele seja absorvido pela China. Desse modo o eleitorado de Taiwan se vê mais inclinado a resistência do que a acomodação com Pequim.
O relacionamento com a China do ponto de vista otimista é escasso, devido ao posicionamento duro de Xi, que optou por uma estratégia de “tudo ou nada”, porém, apesar de Tsai não estar caminhando para a unificação, também não se encaminhou para a declaração formal de independência. Logo, dado a importância de outros desafios que a China enfrenta atualmente – os protestos em Hong Kong, a condenação internacional por seu histórico de violação dos direitos humanos, apenas para citar alguns – os líderes chineses deveriam focar mais na estabilização do relacionamento com Taiwan.
Credit: AP Photo/Chiang Ying-ying
A candidata às eleições presidenciais de 2020 em Taiwan, a presidenta Tsai Ing-wen, à direita, e o seu companheiro de candidatura, William Lai, celebram a sua vitória com apoiantes em Taipé, Taiwan, 11 de Janeiro de 2020.
Com os recentes conflitos internos em Hong Kong, é importante buscar esclarecer a relação China-Hong Kong. Vocês sabiam que Hong Kong faz parte da China? Na verdade, chama-se Região Administrativa Especial da China, uma região administrada pelo governo central chinês, porém com seu próprio sistema político e econômico.
Hong Kong pertenceu à China até 1842, quando, após a Guerra do Ópio, foi tomada pelos ingleses e tornou-se uma colônia britânica, possuindo até os dias atuais heranças coloniais. Apenas em 1997, Hong Kong foi devolvida aos chineses e, no mesmo ano, foi implementada a política “um governo, dois sistemas”. Esta política atesta que Hong Kong deve coexistir junto à China por 50 anos, ou seja, até 2047.
Mas o que isso significa? Hong Kong possui seu próprio sistema, com alto grau de autonomia política e uma maior abertura ao capitalismo. Diferentemente da China continental, Hong Kong mantém o inglês como uma das línguas oficiais, é aberto às redes sociais e aplicativos ocidentais como Facebook, Twitter, Youtube, Google, etc… e possui uma relação mais estreita com o Ocidente, sendo muitas vezes rota de exportação e importação para Pequim.
Além destas questões, cabe citar que Hong Kong tem como moeda oficial o dólar de Hong Kong, que mantém uma paridade fixa com o dólar dos EUA, enquanto Pequim utiliza o Renminbi.
Todas essas divergências levam à insatisfações da população de Hong Kong, visto que estes não escolhem seus governantes (a decisão parte de um seleto grupo de autoridades chinesas) e se vêem presos sob o guarda-chuva do governo chinês continental.
Em fevereiro deste ano, as autoridades de Hong Kong divulgaram uma modificação da lei de extradição do país. Desta forma, presos de Hong Kong poderiam ser extraditados para a China continental e serem julgados de acordo com o sistema legal chinês. Esta ação foi vista como mais um ataque de Pequim à autonomia de Hong Kong e gerou o maior movimento de protestos em HK desde que a cidade voltou a integrar a China.
A Caxemira é um dos lugares mais estratégicos do mundo, onde 3 países poderosos colidem: Índia, Paquistão e China.
As disputas por fronteiras são o alicerce desse conflito. Então, é importante começar quando essas fronteiras são traçadas. Em meados do século XIX, a Índia era uma colcha de retalhos de várias províncias e Estados sob o domínio britânico. Quando a Índia britânica ganhou a independência, a região foi dividida em duas.
Por um lado, um novo país de maioria muçulmana, o Paquistão. E por outro, de maioria hindu, a Índia.
Em meio a guerra, motivada pelo desejo de controle total da região, alguns Estados tiveram a opção de se juntar a qualquer um dos países. Na maioria dos casos, o líder local seguiu a vontade de seu povo, mas a região chamado “Jammu e Caxemira” foi diferente. Essa região tinha uma população de maioria muçulmana, mas foi governada por um hindu. Quando solicitado a escolher um lado, escolheu permanecer neutro.
Ao longo do tempo, Caxemira foi mantida dividida e ocupada. Tornou-se um dos lugares mais militarizados da terra. Um campo de batalha entre duas nações com armas nucleares, Índia e Paquistão. Os dois países, enviavam aviões, tanques, artilharia e soldados ao longo da linha de controle. Tropas ocupam a região que cometeram violações de direitos humanos como estupro, tortura e desaparecimentos forçados que ainda continuam hoje.
A intensificação das relações da República Popular da China com os países sul-americanos se estabeleceu junto ao seu destaque como potência mundial no início do século. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, ficou explícito o notável fracasso da receita neoliberal estadunidense, adotada pelos países da região, e que ocasionou déficits econômicos graves, principalmente na economia argentina.
Em 2001, começa o ingresso da China na OMC (Organização Mundial de Comércio) e seu sucessivo destaque como compradora de recursos naturais e energéticos, base de seu acelerado crescimento econômico (14,2% em 2007, segundo o Banco Mundial). Visto isso, a economia da América do Sul se beneficiou da alta demanda internacional por matéria-prima na primeira década do século.
Em contrapartida, os países-destaque (Brasil e Argentina) tiveram seus setores industriais prejudicados pelo aumento paralelo de importações de mercadorias eletrônicas e mecânicas de origem chinesa. Os investimentos diretos da China no subcontinente também foram grandes, porém, majoritariamente, voltados a estruturas de exploração e escoamento de recursos naturais (cobre, aço, petróleo e soja). No âmbito político, houve estreitamento de laços com o líder regional, Brasil, em 2011, através da criação dos BRICS, grupo de integração e cooperação política.
Atualmente, a China tem presença imprescindível na economia dos países sul-americanos, sendo o principal parceiro comercial de Brasil e Chile. Consome das exportações das principais economias: Brasil (22%), Chile (25%); Argentina (7,4%), Colômbia (5,2%). Dentre as importações deles, está presente em: Brasil (19%), Chile (25%), Argentina (19%), Colômbia (19%). [Fonte: OEC – The Observatory of Economic Complexity, 2017].
Sua relação mais atual com a Venezuela é de extrema interdependência, em que o país sul-americano possui dívidas gigantescas. Levando a disputa comercial EUA-China em consideração, a América do Sul é espaço de disputa de poder direta das maiores potências do mundo.