G20: as maiores economias do mundo

A 14° cúpula do G20 ocorreu em Osaka – Japão, nos últimos dias 28 e 29 de junho deste ano. Mas, vocês sabem o papel do G20 na sociedade internacional?

O G20 foi criado em 1999 e se caracteriza como um grupo composto pelas 19 maiores economias mundiais mais a União Europeia, a qual representa, em um único bloco, diversos países europeus. O grupo foi criado em um cenário de pós crises econômicas e adveio da necessidade de uma maior cooperação entre as grandes economias globais. A representatividade e o peso econômico do G20 faz com que seja um ator crucial para a gestão do sistema financeiro global.

A reunião do G20 ocorre anualmente e conta com a presença, além dos membros oficiais, de membros convidados, estes os quais mudam a cada ano, dependendo da conjuntura global. Neste ano, dentre os países convidados, cita-se: Chile, Egito, Países Baixos, Senegal, Espanha, Tailândia, Singapura e Vietnã.

Além dos diversos temas abordados neste ano em Osaka, chamou atenção a abordagem da questão da guerra comercial entre EUA e China. A cúpula terminou com um cenário de aparente paz entre as duas potências, levando em consideração o pronunciamento do presidente estadunidense, o qual afirmou que não elevará, por ora, as tarifas impostas sobre as importações da China em direção ao território norte-americano. Além disso, foi citado que os países das maiores economias globais continuarão engajados nas questões ambientais globais, apesar da saída dos EUA do Acordo de Paris, o qual trata das responsabilidades dos países com as questões climáticas mundiais.

Os movimentos dos líderes mundiais durante a cúpula do G20 traduzem os objetivos de cada nação. Com a duração de dois dias, diversas questões foram abordadas visando uma maior cooperação e preservação de um ambiente negociável, sendo este o principal objetivo das reuniões anuais. Com o fim da cúpula, resta analisar os movimentos dos Estados durante os próximos meses e aguardar a 15° cúpula das 20 maiores economias mundiais, que ocorrerá em 2020 em Riad, capital da Arábia Saudita.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

LÍBIA: o caos de uma guerra civil

Ao analisar o contexto atual da Líbia, verifica-se um país em um processo multidimensional controlado por milicianos, extremistas e militares, que controlam territórios distintos, desde a deposição e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

A Líbia sofre com crises políticas, de segurança e econômicas interligadas que estão enfraquecendo as instituições do Estado, prejudicando sua economia e facilitando a existência continuada de grupos armados não estatais. Como as autoridades rivais continuam a competir pelo poder, a fragmentação e a disfunção resultantes proporcionaram um ambiente fértil para o desenvolvimento de uma economia de guerra generalizada dependente da violência.

Nesse contexto, há dois meses, as duas maiores cidades do país estão em crescentes embates. Trípoli, a capital da Líbia, tem um arremedo de governo provisório sustentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é chefiado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj. Benghazi, a capital do petróleo está sendo controlada por Khalifa Hiftar, um ex-militar de 75 anos que projetou suas próprias alianças com as milícias vizinhas e, em abril, atacou Trípoli de surpresa. Hiftar e seus aliados estão ocupando Trípoli nos dias atuais, cultivando um enfrentamento que pode desembocar em guerra civil. Com centenas de mortos, quase 100.000 desabrigados e nenhuma solução à vista.

Por: Shakila Ahmad

SE LIGA! Miscelânea identitária

Você sabe a diferença entre árabe, turco, persa, sunita e xiita? Para começar é importante salientar que nem todo muçulmano é árabe e nem todo árabe é muçulmano. Uma curiosidade é que o país com a maior população muçulmana do globo é a Indonésia, que não é um país árabe.

Árabes, curdos, turcos e persas são grupos étnicos que habitam diferentes países do Oriente Médio. Eles são maioria no Egito, Jordânia, Síria, Líbano, Iraque, nos países da península Arábica e nos territórios sob a Autoridade Palestina, além do Norte da África. O principal fator que os une são os fatores geográficos, linguísticos e culturais.

Os persas são descendentes dos povos indo-europeus que chegaram à região do Irã. Os turcos são originários da Ásia Central, de onde migraram por volta do século 10. Eles formam mais de 80% dos habitantes da Turquia. O idioma era escrito em caracteres árabes até 1929, quando se adotou o alfabeto latino.

Os curdos são o maior grupo étnico sem Estado do mundo. Eles ocupam um território de cerca de 500 mil quilômetros quadrados – maior que o do Iraque – que engloba parte da Turquia, Irã, Iraque, Síria, Armênia e Azerbaijão. O idioma curdo é indo-europeu, como o persa.

Sunita e xiita são vertentes da religião islâmica. Mais de 90% da população do Oriente Médio segue a religião islâmica.

Em regiões onde as fronteiras nacionais são resultado do jogo de equilíbrios entre as potências coloniais, a atribuição religiosa e étnica é frequentemente usada em discursos políticos para justificar ações estratégicas no tabuleiro geopolítico.

Por: Shakila Ahmad (@shakilaahmad)

MÉXICO E EUA: acordos sobre a histórica questão migratória

Nos últimos dias, as negociações, entre os governos mexicano e estadunidense, sobre os migrantes dos países centro-americanos se tensionaram. Sendo uma das principais pautas de segurança do governo Donald Trump, o impedimento da imigração dessa população para os Estados Unidos proporciona um nível de aflição nas relações entre os dois países.

No dia 30 de maio, Trump ameaçou a imposição de tarifas gerais de 5% a todas importações advindas do México, cobrando medidas mais contundentes do país latino-americano quanto à contenção do fluxo migratório. Isso geraria um impacto grave na economia mexicana, visto que US$ 346,5 bilhões de suas exportações se destinaram aos EUA no ano de 2018 (segundo o Census Bureau). No entanto, posteriormente, os governos chegaram a um “acordo” com a finalidade de evitar essas tarifas: a mobilização de um efetivo massivo da recém-criada Guarda Nacional para a fronteira sul do país com a Guatemala. Além disso, o governo Andrés Manuel López Obrador (AMLO) anunciou detenções de líderes de caravanas migrantes.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, garante que com essas medidas, o México evita se tornar um “terceiro país seguro”. Esse conceito surgiu no Estatuto dos Refugiados da Convenção de Genebra de 1951 e consiste em um país que acolhe migrantes recusados por um outro (nesse caso, os EUA). Para cumprir esse papel, esse “terceiro país” deve assegurar que o migrante não retorne ao seu país de origem (princípio da não-devolução/non-refoulement) e garantir direitos como moradia, emprego, educação, entre outros.

Analisando essa situação, o que se vê, portanto, é que, para além dos impactos e vulnerabilidades sociais, as negociações internacionais explicitam muito mais como a agenda de segurança dos EUA é utilizada em diferentes perspectivas. Pela perspectiva do governo Trump, pode-se entender que o significado de toda essa pressão momentânea para a questão migratória seja capital político para satisfazer sua base eleitoral, já pensando na reeleição presidencial em 2020. Já pela resposta do governo AMLO, há uma exposição no que se pode entender como uma dependência mexicana dos EUA, tanto econômica, quanto política.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

FRANÇA: territórios ultramarinos

Territórios ultramarinos franceses são regiões administradas pela França, porém fora de seu território metropolitano. Eles estão espalhados por várias localidades do planeta, traduzindo sua projeção de poder global. Estes territórios estão na América, África, Oceania e Antártica.

Um território ultramarino é, de certa forma, uma continuidade da colonização francesa, ou seja, a França exerce domínio sobre estes territórios, mesmo estes se localizando fora de seu escopo territorial e longe do continente europeu.

Existem dois tipos de territórios ultramarinos: os departamentos ultramarinos e as coletividades de ultramar.

Os primeiros são territórios os quais têm quase o mesmo estatuto que os territórios metropolitanos (isto é, a França continental a qual estamos acostumados) embora tenham autonomia e sejam excluídos de estatísticas nacionais, como taxas de desemprego. Estes departamentos participam também da União Europeia, utilizando como moeda o euro e tendo o direito de votar para o Parlamento Europeu. Um exemplo de departamento ultramarino com todas as características acima é a Guiana Francesa, território fronteiriço ao Brasil.

Já as coletividades ultramarinas possuem estatuto particular e não fazem parte da União Europeia, tendo como moeda o franco CFP, uma moeda vinculada ao euro, mas não sendo o euro em si, com maior independência. Um exemplo desta é a Polinésia Francesa, no Pacífico.

Cada departamento e coletividade possui uma forma diferente de organização interna, alguns possuem um presidente, outros monarquias, entre outros.

O QUE SÃO ZEEs?
ZEE: Zona Econômica Exclusiva;
Os países têm direito a estabelecer uma “zona de domínio” das águas para além de sua costa, isto é, a influência de um país vai além de suas águas territoriais. Na sua ZEE, um país tem direito sobre os recursos naturais ali encontrados e responsabilidade ambiental da região.

A França, por meio destes territórios ultramarinos e suas ZEEs, possuem influência global nas principais rotas de comércio mundiais e conseguem defender seus interesses.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

CHINA: a projeção na América do Sul

A intensificação das relações da República Popular da China com os países sul-americanos se estabeleceu junto ao seu destaque como potência mundial no início do século. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, ficou explícito o notável fracasso da receita neoliberal estadunidense, adotada pelos países da região, e que ocasionou déficits econômicos graves, principalmente na economia argentina.

Em 2001, começa o ingresso da China na OMC (Organização Mundial de Comércio) e seu sucessivo destaque como compradora de recursos naturais e energéticos, base de seu acelerado crescimento econômico (14,2% em 2007, segundo o Banco Mundial). Visto isso, a economia da América do Sul se beneficiou da alta demanda internacional por matéria-prima na primeira década do século.

Em contrapartida, os países-destaque (Brasil e Argentina) tiveram seus setores industriais prejudicados pelo aumento paralelo de importações de mercadorias eletrônicas e mecânicas de origem chinesa. Os investimentos diretos da China no subcontinente também foram grandes, porém, majoritariamente, voltados a estruturas de exploração e escoamento de recursos naturais (cobre, aço, petróleo e soja). No âmbito político, houve estreitamento de laços com o líder regional, Brasil, em 2011, através da criação dos BRICS, grupo de integração e cooperação política.

Atualmente, a China tem presença imprescindível na economia dos países sul-americanos, sendo o principal parceiro comercial de Brasil e Chile. Consome das exportações das principais economias: Brasil (22%), Chile (25%); Argentina (7,4%), Colômbia (5,2%). Dentre as importações deles, está presente em: Brasil (19%), Chile (25%), Argentina (19%), Colômbia (19%). [Fonte: OEC – The Observatory of Economic Complexity, 2017].

Sua relação mais atual com a Venezuela é de extrema interdependência, em que o país sul-americano possui dívidas gigantescas. Levando a disputa comercial EUA-China em consideração, a América do Sul é espaço de disputa de poder direta das maiores potências do mundo.

Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)

ORIENTE MÉDIO: chokepoints regionais

A análise dos chokepoints no Oriente Médio explica a complexidade das questões regionais. A região é marcada por possuir importantes rotas marítimas comerciais em seu entorno e ser composta por importantes atores do mercado internacional de petróleo, como Arábia Saudita e Irã, principais exportadores regionais.

O bloqueio de um desses chokepoints poderia escalar em uma crise em diversos países os quais têm parcerias ou negócios no Oriente Médio, bem como os países locais os quais utilizam destas rotas para manterem suas exportações. Os conflitos na região devem ser observados de perto, pois quaisquer complicações nas estreitas passagens marítimas podem gerar negativas repercussões internacionais.

Os três principais chokepoints a serem analisados são: Canal de Suez (1), interligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho; o Estreito de Bab el-Mandeb (2), ligando o Mar Vermelho ao Oceano índico e o Estreito de Ormuz (3), o qual liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, sendo este o mais importante ponto estratégico, por onde se escoa ⅓ do petróleo mundial advindo do Irã ou países do Golfo, como Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. Desta forma, é facilitada a compreensão pelas disputas de poder e controle destas áreas, traduzidas a partir da presença de grandes potências nestes locais, como por exemplo bases militares da China, França e demais potências no Djibouti, Quinta Esquadra dos EUA no Bahrein, dentre outros.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

SUDÃO: a queda de Omar al-Bashir

Na última quinta-feira, o presidente Omar al-Bashir foi deposto de seu cargo após 30 anos no poder. Uma série de protestos levaram à detenção do principal ator do governo autoritário sudanês, o qual foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O país passa por um cenário de grave crise econômica, a qual se intensificou após a secessão com o Sudão do Sul em 2011, gerando uma perda dos campos petrolíferos, estes ficando com o Sul.

Contudo, o caminho a se percorrer será mais árduo do que se aparentou. Será executado um plano de governo de transição pelos próximos dois anos, até a próxima eleição, liderado por militares. O líder do Conselho Militar de transição seria o ministro de defesa e general Awad Bin Auf, porém a situação gerou descontentamento da população devido à sua proximidade com o deposto presidente, ambos acusados de crimes de guerra na conflituosa região de Darfur.

Pressionado, Awad Bin Auf renunciou do cargo de líder do Conselho de transição, o que levou a população às ruas para comemorações. Quem ocupou o cargo de líder do Conselho de transição após a renúncia foi o general Abdel Fattah al-Burhan, gerando um sentimento de esperança na população, visto que o mesmo não possui filiação política com o antigo governo e se mostra mais disposto à conversas com os civis.

Hoje, al-Burhan encontra-se com líderes de oposição e protestantes na capital Cartum, visando promover um diálogo e observar as demandas da população. Mas o mesmo já prometeu, de antemão, que após os dois anos do governo de transição irá instituir-se um governo civil.

É necessário acompanhar de perto o desenrolar dos ocorridos, clamando cada vez mais por atenção da comunidade internacional e visibilidade à população a qual sofre constantemente violações de direitos humanos.

Acompanhe a situação em: www.aljazeera.com

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)
Fonte: Al Jazeera

IÊMEN: o país assolado pela guerra civil

O país localizado no Oriente Médio tem sido palco de intensos conflitos desde 2015. De um lado, atua o governo do Iêmen, e de outro, as forças rebeldes houthis. A guerra civil envolve duas importantes potências da região: Arábia Saudita e Irã. A coalizão liderada pela Arábia Saudita apoia o governo iemenita, e o seu inimigo regional Irã apoia os rebeldes houthis, cenário o qual chama-se guerra por procuração (proxy war).

O conflito já deixou mais de 20 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, visto que as tropas humanitárias são muitas vezes impedidas de entrar no país. É observada cada vez mais a pressão internacional para a resolução do conflito, porém é difícil visualizar uma trajetória de paz na região enquanto os grupos não entrarem em pleno acordo de cessar fogo.

Por: Ana Luiza Colares (@anacolares)

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