Ao analisar o contexto atual da Líbia, verifica-se um país em um processo multidimensional controlado por milicianos, extremistas e militares, que controlam territórios distintos, desde a deposição e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.
A Líbia sofre com crises políticas, de segurança e econômicas interligadas que estão enfraquecendo as instituições do Estado, prejudicando sua economia e facilitando a existência continuada de grupos armados não estatais. Como as autoridades rivais continuam a competir pelo poder, a fragmentação e a disfunção resultantes proporcionaram um ambiente fértil para o desenvolvimento de uma economia de guerra generalizada dependente da violência.
Nesse contexto, há dois meses, as duas maiores cidades do país estão em crescentes embates. Trípoli, a capital da Líbia, tem um arremedo de governo provisório sustentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é chefiado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj. Benghazi, a capital do petróleo está sendo controlada por Khalifa Hiftar, um ex-militar de 75 anos que projetou suas próprias alianças com as milícias vizinhas e, em abril, atacou Trípoli de surpresa. Hiftar e seus aliados estão ocupando Trípoli nos dias atuais, cultivando um enfrentamento que pode desembocar em guerra civil. Com centenas de mortos, quase 100.000 desabrigados e nenhuma solução à vista.
Por: Shakila Ahmad
