
Argentina, Brasil, Paraguai e Estados Unidos se uniram com a finalidade de criar um grupo de coordenação antiterrorista para fiscalizar a Tríplice Fronteira entre os países sul-americanos. Essa iniciativa de cooperação tem como principal intuito investigar atividades ilegais transfronteiriças que financiam o partido político libanês, Hezbollah, de acordo com alguns serviços de espionagem.
Nos últimos meses, Argentina e Paraguai passaram a considerar o grupo como organização terrorista internacional, assim como os Estados Unidos constatam há anos. Pela perspectiva argentina, a colocação do poder executivo, além de possuir um ressentimento histórico pelo atentado contra a sede da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) — ocorrrido há 25 anos, e tendo o Hezbollah como suspeito considerado —, tem também motivações político-econômicas para a criminalização do grupo. Em meio à grave crise econômica do país, a esperança de estabilidade financeira do Governo Macri, importante fator para a reeleição do presidente em outubro desse ano, vem por meio do empréstimo bilionário (US$ 56,3 bilhões) do FMI, que, por sua vez, tem os EUA como seu principal acionista.
O Brasil não tem a mesma posição dos demais países até então, porém, seguindo a semelhante postura político-ideológica dos outros três países, tudo indica que haverá um pronunciamento abordando a questão dessa mesma forma em breve, seguindo a lógica das declarações do provável futuro embaixador do Brasil nos EUA, Eduardo Bolsonaro. Deve-se ficar atento(a) a essa importante discussão, considerando também que um grande aliado do grupo libanês é o Irã, país com quem o Brasil atingiu um importante superávit comercial em 2018 (US$ 2,2 bilhões).
Por: João Felipe Ferraz (@jlipe_ferraz)
