Entenda a Relação entre a Catalunha e a Espanha

Quando pensamos na Espanha, logo nos vem em mente nomes de cidades como  Madri e Barcelona. A última, berço de um dos times de futebol mais lembrados do mundo, também é capital da Catalunha, uma região dona do talvez mais conhecido movimento separatista do globo. Devemos isso ao histórico conflituoso entre a  província e a Coroa Espanhola, que traz termos como independência e separatismo à luz.  O objetivo a partir daqui será, portanto, entender esses conceitos e analisar o contexto recente desse debate em relação aos dois atores: os governos espanhol e catalão. 

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“Bananas, Beaches and Bases” – Mulheres nas Relações Internacionais

BANANAS, BEACHES AND BASES: Making Feminist Sense of International Politics (Second Edition: 2014)

Segundo Enloe, para entender o feminismo na política internacional, você não precisa tentar se colocar no lugar das mulheres que protestam por direitos em algum lugar no mundo. É necessário ir além, e não apenas pensar nas mulheres que você conhece, mas nas que você ainda precisa conhecer.

“(…) essa curiosidade terá que alimentar um trabalho de detetive curioso, investigando cuidadosamente as experiências e ideias complexas de empregadas domésticas, camareiras de hotéis, ativistas dos direitos das mulheres, diplomatas mulheres, mulheres casadas com diplomatas, mulheres que são amantes das elites masculinas, mulheres que costuram … operadores de máquinas, mulheres que se tornaram trabalhadoras do sexo, mulheres soldados, mulheres forçadas a se tornarem refugiadas e mulheres que trabalham em plantações de agronegócios.” (p.3)

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II PROCESSO SELETIVO

Olá,

É com muito prazer que o GeoPost abre seu II Processo Seletivo para o público interessado, com o objetivo de expandir a nossa atuação e torná-la cada vez mais diversa. Para isso, incentivamos pessoas pertencentes a minorias sociais, como de raça, etnia, gênero e sexualidade, a se inscreverem neste PS. As vagas disponíveis são para Produtor de Conteúdo e Criador de Mídia e as funções estão especificadas no edital.

Devido à pandemia de Covid-19 e ao nosso atual modo de trabalho, o II PS acontecerá de forma remota. A primeira etapa é o preenchimento do formulário até o dia 17/02. Para ter acesso a todas as informações referentes ao II Processo Seletivo, basta acessar o edital anexado abaixo.

Em caso de dúvida, não hesitem em nos contatar pelo Instagram ou através do nosso e-mail (geopost.contato@gmail.com).

Esperamos vocês na próxima fase!

Link para o formulário

Entenda a região do Curdistão

A QUESTÃO CURDA

Os curdos são um povo apátrida milenar que buscam por autonomia, manutenção da sua identidade  cultural e independência dentro dos territórios habitados pelo povo curdo. Estes habitam, majoritariamente, as regiões montanhosas localizadas, atualmente, nos territórios do Irã, Iraque, Turquia, Síria e Armênia, no Oriente Médio. 

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O Direito do Mar e a expansão da Plataforma Continental da Argentina

As águas oceânicas compreendem, atualmente, a aproximadamente 72% da superfície da Terra. Desta forma, os mares são elementos fundamentais para o fluxo de trocas comerciais no mercado internacional, assim como fonte de vida e de recursos naturais e energéticos, além de terem um papel crucial no desenvolvimento das nações. Ao saber da importância dos mares, faz-se necessário abordar o Direito do Mar, que compreende orientações acerca da soberania dos Estados costeiros sobre suas águas, mas também as normas referentes à gestão dos recursos marinhos e o controle da poluição. O Direito do Mar foi abordado diversas vezes ao longo da história, porém suas normas, durante muito tempo, não estiveram definidas.

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O conflito entre Armênia e Azerbaijão

No dia 27/09, iniciaram novos confrontos entre as forças da Armênia e do Azerbaijão na região da autoproclamada República de Artsaque, mais conhecida pelo seu antigo nome República do Nagorno-Karabakh. Ambos os países declararam Lei Marcial, ou seja, estão preparando suas populações para uma possível guerra. Embora não saibam o estopim para o conflitos, ambos os países se acusam mutuamente.

Apesar do cessar-fogo que existia, há relatos de violações da trégua e provocações diplomáticas entre os azeris e armênios, povos que habitam a região.

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O que é terrorismo?

Segundo a Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) que ocorreu em 1994, o termo terrorismo se define por: 

“Atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, num grupo de pessoas ou em indivíduos para fins políticos são injustificáveis em qualquer circunstância, independentemente das considerações de ordem política, filosófica, ideológica, racial, étnica, religiosa ou de qualquer outra natureza que possam ser invocadas para justificá-los”.

E a partir da análise da definição acima, é possível compreender que “terrorismo” é uma palavra elástica, ou seja, pode acoplar diversas características devido ao fato de não existir um consenso dentro da comunidade internacional a respeito de características pontuais do perfil de um terrorista. Por conta disso, o termo “terrorismo” ganha um forte teor político porque cabe aos tomadores de decisão – presidentes, primeiro-ministros, governadores, etc – apontarem o perfil e atitudes que classificariam um ato ou alguém como terrorista. 

Por essa razão há o equívoco instalado no senso comum de associar o terrorismo a uma prática pertencente a pessoas provindas do Oriente Médio, em especial muçulmanas, estereótipo este que foi reforçado após a queda do World Trade Center, conhecido como  torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América. Os resultados do ocorrido deram início a um dos pontos mais marcantes da política externa da dinastia Bush denominado como “Guerra ao Terror”, resposta ofensiva por meio de ações militares contra grupos terroristas. 

Esse foi o ponto de partida para diversos conflitos entre o governo estadunidense, o Afeganistão e o chamado “Eixo do Mal” – Coreia do Norte, Irã e Iraque. Durante esse período, com o apoio de tropas britânicas e com a recusa de participação dos países membros do Conselho de Segurança da ONU, o governo dos EUA invadiu e bombardeou o Iraque com a premissa de que o país árabe armazenava armas de destruição em massa,  

acusação que nunca foi comprovada. Motivo esse que descredibiliza a ação e gera dúvidas acerca das reais intenções dos governos envolvidos.

A problemática surge justamente da falta de critérios para delimitar ações e decisões que usam a prerrogativa de “terrorismo” para a realização de interesses próprios em torno de um povo, de um país e de um território. O caso que envolve toda a narrativa da Guerra ao Terror ilustra bem como a versatilidade do termo deu legitimidade a ações questionáveis contra o Iraque, Afeganistão e Irã. Utilizaram de um acontecimento para criar toda uma imagem em torno de uma etnia no intuito de criminalizar. Os árabes são parte do que podemos chamar de bode expiatório, que seriam grupos de pessoas que supostamente representam uma ameaça para a população de um Estado. 

A cada período os Estados selecionam, de acordo com seus interesses, perfis (étnicos, religiosos, políticos…) para dirigirem sua atenção e esforços. Outros exemplos de grupos que já serviram como bodes expiatórios são os judeus, comunistas, latinos e muçulmanos. 

E por conta dessa ampla definição,os Estados encontram facilidade para criar argumentos que os permitam ferir a soberania de outros Estados e deturpar a identidade de povos ou grupos  os quais desejam atacar. 

Essa manipulação não permite que sejamos capazes de identificar atos terroristas distantes dos estereótipos já estabelecidos e trabalhados pela mídia, pelos governos e Estados, já que depende de quem os tomadores de decisão tem o intuito de atingir. É uma questão de interesse social e político que ditam como o indivíduo será visto. Como um exemplo de casos terrorista performados por grupos que fogem os bodes expiatórios temos o caso do atirador Brenton Taurent, australiano que matou 51 muçulmanos – incluindo crianças e idosos – dentro de uma mesquita na Nova Zelândia, em 15 de março de 2019. O desfecho judicial do caso se deu esse ano. O tribunal levou em consideração a motivação ideológica da supremacia branca para categorizar a ação como um ato terrorista, fazendo do réu o primeiro condenado do país a prisão perpétua desacompanhada do direito de liberdade condicional.

Outro exemplo seria o atentado terrorista realizado pelo ultradireitista Anders Behring Breivik. Ele foi condenado pelo tribunal de Oslo a 21 anos de prisão pelos ataques que resultaram na morte de 77 pessoas no ano de 2011. Ele realizou dois atentados, um na cidade de Oslo, onde estacionou um veículo carregado de quase uma tonelada de explosivos em frente a um edifício de 17 andares que abrigava o escritório do primeiro ministro, dentre outras pendências governamentais. A explosão que trouxe a óbito 8 pessoas serviu de distração para o segundo atentado na ilha de Utøya, que por sua vez, abrigava jovens participantes de um partido do governo. Lá ocorreu um massacre de crianças e adolescentes, totalizando 69 mortes. 

Para o estudo e compreensão do terrorismo dentro dos conflitos e contextos internacionais, é importante nos distanciarmos da perspectiva etnocêntrica reivindicada pelos Estados que as promovem para sermos capazes de identificar atos terroristas independente por quem sejam protagonizados. Porque, com um olhar mais crítico, é possível perceber quando um discurso é feito para encobrir segundas intenções e diminuir uma narrativa corrosiva, preconceituosa e precipitada acerca de grupos étnicos e religiosos, o que auxilia numa leitura justa e real dos acontecimentos em torno do mundo e seus conflitos.

Eleições e Protestos na Bielorrússia

A Bielorrússia é um país com cerca de 10 milhões de habitantes e fica localizada no leste da Europa, onde faz fronteira com Rússia, Polônia, Letônia, Lituânia e Ucrânia. O país tem uma posição geoestratégica delicada entre a Rússia e a Organização do Atlântico Norte (OTAN). A OTAN é uma aliança militar e política para cooperação em segurança e defesa, que conta com 29 Estados-membros na América do Norte e na Europa. O Tratado do Atlântico Norte (que fundou a organização) foi assinado em 1949 para lutar contra o avanço a ameaça comunista na Europa, representada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Isso é importante para entender o posicionamento de atores externos no que tem acontecido atualmente na Bielorrússia. Importante também saber que a Bielorrússia depende da energia russa. O petróleo e o gás são subsidiados e a primeira central nuclear bielorrussa é financiada e operada pela Rosatom, empresa russa. No seu território também passam oleodutos e gasodutos para a exportação russa para a Europa, que é seu maior mercado. 

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A disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China

A disputa hegemônica em andamento entre os Estados Unidos e a China tem gerado uma preocupação internacional cada vez maior, sendo considerada por alguns analistas a Guerra Fria do século XXI, com o incremento de que a China possui uma relevância econômica notável no sistema internacional, estando conectada com as mais diversas redes de suprimentos globais. Nas últimas semanas, as tensões entre as potências têm se acirrado, e a situação é explicitada através do encerramento das atividades de ambos os consulados nos países em questão. O fechamento do consulado chinês em território estadunidense, em Houston (24/07), adveio de uma ordem de Donald Trump, com a justificativa de espionagem chinesa e roubo de material intelectual. Como resposta, a China ordenou o fechamento  do consulado estadunidense no território chinês, em Chengdu, realizado no dia 27 de julho.  

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A disputa pelo Rio Nilo

“O Nilo é uma questão de vida ou morte para nós.” Foi assim que o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, definiu a tensa situação de anos sobre a Grande Represa do Renascimento, na Etiópia, que está a ser erguida como a maior barragem da África e pivô da principal disputa geopolítica do continente. Um dos grandes protagonistas da história da humanidade, o Rio Nilo, que é normalmente tido como o maior rio do mundo, em uma disputa com o Rio Amazonas, provê água potável a cerca de 280 milhões de pessoas em onze países ao nordeste do continente africano. O Egito, que depende do Nilo em mais de 90%  do seu abastecimento de água, teme que a barragem etíope cause um impacto devastador sobre sua população, de cerca de 100 milhões de pessoas, a terceira maior do continente, logo atrás justamente da Etiópia.

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